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quinta-feira, 23 de julho de 2009

SAUDADE




Subindo os degraus da escada da vida,
vejo nostalgia nascer e crescer
em meu peito sem que
nada possa fazer.
Contra ela que poderei arremessar
para melhor a matar?
- Nada, pois tudo passa,
até a emoção de um momento
ou de uma espera...
Espera talvez de uma saudade
que se juntará a tantas outras.
E sigo. Para onde?
Depois tudo passa...
Que sobra de tudo?
-Quase nada.
Talvez uma pessoa a menos
e uma saudade a mais!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

AUSÊNCIA




Sede que se faz profunda busca
de não sei quê,
infinita e rabuscada no sentir amoroso
que se queda todo
no lago profundo de você.


Sede que se alastra violenta
no âmago fecundo do meu ser.
Seca-me a boca, queima-me o ventre
racha-me por dentro na ânsia louca
pela terra árida de teu ser.


Sede que se faz presente
naquele que se fez ausente
no tempo tórrido do meu ser.

domingo, 12 de abril de 2009

METAMORFOSE




O ar muda.
A dança muda.
A muda dança
E faz a mudança.

...mudança de tempo
Hoje.
Amanhã.

...mudança de lugar
Ora cá.
Ora lá.

...mudança de estado
Sólido, denso.
Gasoso, fluido.

A muda dança.
A dança muda.

Passa o passo
E o passo apressado
Passa.

E a muda muda
Seu estado,
Seu tempo,
Seu lugar.

Fui? Ou fomos?

quinta-feira, 26 de março de 2009

JOGO DE DNA




Ligo a televisão.
Na telinha imagens mostram-me um corpo...
se desfazendo ao longo do tempo.
Dois esqueletos bailam num “suave é a noite”.
E suas células partem-se e se repartem às minhas vistas.
Uma morre e outra nasce num indo e vindo
de vida microscópica e infinita.

E sou eu que morro e renasço
em instantes, em um dia.
Sou eu que me fito por dentro e por fora
em rápidas mudanças de tempo.
Se alguma coisa se atrofia por dentro,
transformações ocorrem por fora.

E isso sou eu!

Sou uma célula corrompida.
Sou uma ruga, uma estria.
Um olho opaco,
Um osso poroso.
Um músculo atrofiado,
Uma veia meio entupida,
Um coração cansado.

Mas ainda gente sou!

Na telinha vislumbro tais coisas?
Sinto-me adolescente,
quase criança sou,
Num emaranhado de conhecimentos do tempo
Que há muito já passou.

E meu espírito mais velho
ainda novo continua
Nos trinta anos ainda estou.
Vou partir mas vou contente,
Deixo-te sorridente me lembrando
No DNA que chegou.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ALIMENTO



Em um momento qualquer
quando chegar o tempo certo
comerei com gosto e devagar
toda a essência do teu ser.
O bom sabor baiano
me causará tamanho prazer
que deleitar-me-ei no gozo eterno
e infinito de nós dois.

.....................................
Então me farei passar
lentamente da tua boca
para o teu estômago,
passando minha essência
para teu sangue
que indubitavelmente findará
por chegar ao teu coração.
Percorrerei todo o teu corpo,
e assim, acreditaremos
que toda ação,
seja saboreado ou deglutida,
é um profundo
ato de amor que nos fará fortes
para pisar espinhos e pedregulhos
olhando para o imenso
horizonte à nosso frente.