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quinta-feira, 26 de março de 2009

JOGO DE DNA




Ligo a televisão.
Na telinha imagens mostram-me um corpo...
se desfazendo ao longo do tempo.
Dois esqueletos bailam num “suave é a noite”.
E suas células partem-se e se repartem às minhas vistas.
Uma morre e outra nasce num indo e vindo
de vida microscópica e infinita.

E sou eu que morro e renasço
em instantes, em um dia.
Sou eu que me fito por dentro e por fora
em rápidas mudanças de tempo.
Se alguma coisa se atrofia por dentro,
transformações ocorrem por fora.

E isso sou eu!

Sou uma célula corrompida.
Sou uma ruga, uma estria.
Um olho opaco,
Um osso poroso.
Um músculo atrofiado,
Uma veia meio entupida,
Um coração cansado.

Mas ainda gente sou!

Na telinha vislumbro tais coisas?
Sinto-me adolescente,
quase criança sou,
Num emaranhado de conhecimentos do tempo
Que há muito já passou.

E meu espírito mais velho
ainda novo continua
Nos trinta anos ainda estou.
Vou partir mas vou contente,
Deixo-te sorridente me lembrando
No DNA que chegou.

domingo, 22 de março de 2009

CICLO VITAL



Continuar...

É necessário que se continue
de alguma forma.
Mesmo que depois tudo se acabe,
porque tudo é findável.

É o tudo que se transformará
aos poucos em nada novamente.

Mas, é importante continuar...
mesmo além da morte,
porque é na morte
que existe a vida...

E mesmo na morte ou na vida
é necessário continuar...
continuar...
continuar...
continuar...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

IRMÃ MORTE



Irmã que ninguém gosta de pensar.
Gêmea da vida, siamesa negada,
jamais esquecida, quase nunca mencionada.
Estás do lado de fora,
em qualquer esquina,
em qualquer bar.
Intrínsicamente ligada qual mãe
ao cordão umbilical.
À alguns um tanto quanto ansiada
já por outros jamais lembrada.
No entanto, eterna companheira,
invisível a perscrustar os passos,
a cada caminhar, num doce olhar.
E de repente todos os segredos
da vida por ela serão revelados.
E através de leve suspiro
ou dor no peito, um estorvo cerebral,
num estrondo na estrada,
num tiro no escuro,
ou numa braçada de mar,
de repente, não mais que de repente,
iremos te encontrar.
E no teu abraço fortíssimo, rumo às estrelas,
presos a infinitude do que somos,
eternizados nos corações que nos amam,
Através de ti, iremos nos tornar.