segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

SENTIMENTOS




Teimoso ele parte. Tento retê-lo,
mas inconstante, rebelde, vai...

Percorre estradas, montanhas, morros,

desertos, mares e céus.
Queima-lhe os pés - o sol.

Molha-lhe o rosto - a chuva.

Nada o impede de prosseguir.

Há abismos, há terra causticante,

pantanais e gelo...

O clima muda mas ele prossegue...

Onde será, da reta, o final?
Eu fico e imagino o que sente, o que vê.

Eu fico e meu coração unido aos seus passos,

é corpo ligado ao espírito.

Sinto o que sente, vejo o que vê.

Como árvore fincada a terra permaneço.

Como águia livre ao céu, vôo.
Ligados um ao outro somos:

carne-corpo, pensamento-espírito.

Todos em um só porto: vida!

Distantes e juntos,

unidos e separados,

controlador e desvairado,
em busca de um mesmo sonho:

Felicidade!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ROMARIA


Ao chegar janeiro a ansiedade se aloja
em todo coração sertanejo
das terras de São Sebastião.
Um sentimento contido,
sufocado e quase esquecido,
que teimoso
sacode a poeira
do tempo a passar,
vitorioso se levanta por todo o chão,
onde se encontram os filhos deste sertão.
Em busca de parentes, felizes partem,
já sentem o encontro dos amigos
e a benção do Santo Sebastião.
e no clima harmonioso se misturam
alegrias e saudades,
sonhos e esperanças
que sem adjetivos para externá-los
só se pode entendê-los
à luz do coração.
Ao partir desejam pouco,
apenas do santo a proteção
para voltarem novamente
às terras deste sertão!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

ESTRELAS



No céu constelações brilham num pisca-pisca
Refletido em nosso olhar .
Fazem-se estrelas-guias para reis e homens

Mostrando rumos, apontando caminhos

nas noites escuras da amplidão.


Na terra quantas estrelas haverão?


São homens que alumiam caminhos,

abrem espaços, ensinam e aprendem:
São pontos de luz na obscuridade dos caminhos.

No céu umas já não existem

mas a luz ainda se reflete
onde um dia existiu.


Na terra outras também já não existem,

porém se irradiam na lembrança,

perpetuando sua luz por onde um dia passou.


E ambas continuam brilhando

tornaram-se estrelas de vida,
modelos para os que ficaram .


Somos pontos de luz, mesmo que tênue:

para uns, grandes fachos

para outros, simples chama de vela.


Luzes no céu, luzes na terra somos,

iluminando nosso irmão
,
para transformar este chão!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

IRMÃ MORTE



Irmã que ninguém gosta de pensar.
Gêmea da vida, siamesa negada,
jamais esquecida, quase nunca mencionada.
Estás do lado de fora,
em qualquer esquina,
em qualquer bar.
Intrínsicamente ligada qual mãe
ao cordão umbilical.
À alguns um tanto quanto ansiada
já por outros jamais lembrada.
No entanto, eterna companheira,
invisível a perscrustar os passos,
a cada caminhar, num doce olhar.
E de repente todos os segredos
da vida por ela serão revelados.
E através de leve suspiro
ou dor no peito, um estorvo cerebral,
num estrondo na estrada,
num tiro no escuro,
ou numa braçada de mar,
de repente, não mais que de repente,
iremos te encontrar.
E no teu abraço fortíssimo, rumo às estrelas,
presos a infinitude do que somos,
eternizados nos corações que nos amam,
Através de ti, iremos nos tornar.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

DESCOMPASSOS



Com passos se fazem caminhos,
ora firmes, ora tão trôpegos,
rumos talvez ao nada,
que se transforma ora em vitórias,
ora em fracassos.

Com o nada não se faz história,
com passos o tempo vai discorrendo
como pólos que se atraem,
como grãos de areia pelos ventos levados
formando dunas ora aqui, ora acolá.

Com passos somos grandes, fortes
e seguimos rumo ao encontro
do pequenino e fraco desencontro
talvez do coração,
talvez da nossa razão!

Tal como deuses somos na maturidade,
linha numérica frágil da vida onde um menos um
se torna sons roucos e descompassados
na vida dos que amamos
ou que sonhamos amar!

E naquele se põe tudo o que resta
para a construção de um porvir.
É o contraste do tudo o que queremos ser
num universo sem rimas ou simetria
num quase poema de morrer na praia,

assim:

Quase chegou...
Quase beijou...
Quase viveu...
Quase amou...
Quase partiu...
Quase morreu...


É preciso fazer o quase tornar-se presente,
porque no amanhã tudo se esvai

e o nosso passado então jamais futuro será...

domingo, 19 de outubro de 2008

RECORDAÇÃO




Olho atrás a estrada...
Distante a vida que passou.
Revejo imagens que mesmo passado o tempo
dentro de mim ficou.

Teu jeito de caminhar,
os passos lentos e firmes,
seguindo dias à fio
rumo a construção.

Parado, mãos cruzadas às costas,
calejadas por tijolos, cimento e cal.
Olhos tristes sempre mirando estradas distantes,
- vontade de voltar!

Depois tu pastirte para longe
para nunca mais voltar...
Está com o Pai,
o pai qu'eu aprendí a amar!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

TEATR'ANDO


Subí no palco da vida para ir além da vida,
disfarçar as dores, reforçar a alegria,
desfrutar convívios, dividir a interior harmonia.

Subí no palco para fazer acontecer
os sonhos que há na cabeça,
trilhar passos na sandália de dedos
e nas mãos vazias.

Subí no palco para não ir além da humildade de saber
que tudo é uma permuta, tudo é energia,
fonte primeira de criação de um novo ser
que em sí mesmo rí, chora, entristece e se alegra
se recusa e se dá, morre e renasce:
em cada ato,
em cada peça
que a vida prega.

Subí no palco onde se pode viver
a sintonia entre palco e platéia, onde todos são atores
e personagens do grande teatro
onde Deus é o Diretor.


( Uma homenagem à todos os atores independentes que buscam transformar este país num lugar mais agradável de viver, em especial a Romualdo Freitas.)